domingo, 20 de julho de 2008

Lágrimas por um poema perdido

Lágrimas por um poema perdido
Ainda hoje choro um poema que perdi Numa acção de combate ligeira Quando o papel amarrotado Me caiu da algibeira Dedicara-o a um menino Que encontrei abandonado Numa sinuosa picada isolada Enredada na vasta e incerta Floresta da guerra Morria de fome e tristeza E dos seus enormes olhos negros Que eram espelhos que reflectiam Infinitos raios de súplica Gotejava uma só lágrima fortuita Disse-me que se chamava Chico Matacanha Mas a miséria era tamanha Que já não me soube contar mais nada Aquele menino cresceu Fez-se homem E continua a viver Mas a fome A miséria e a guerra Continuam a alastrar pela Terra inteira Por isso ainda hoje choro o poema que perdi Numa acção ligeira de combate Tento recuperá-lo da memória Com o coração a bater a rebate Para o dedicar agora Já não só a Chico Matacanha Mas a todos os meninos abandonados Nos caminhos cruzados Da crueldade humana Henrique Pedro

Um comentário:

Cris Czank disse...

Amado Helio, porque perdeu seu poema??? talvez seja por não ter sido seu!!!!
pois os poemas de seu coração é cantado em trovas e versos todos as noites em meu leito no canto de meu ouvido,todas as palavras de amor que seu intimo declama para mim...
deixa perder o poema que não te pertence e seja poeta sim em meus braços, pois nada como a harmonia de nossos corpos , para bailar palavras doces de amor sem fim!!!
Cristina!!!