Lágrimas por um poema perdido
Lágrimas por um poema perdido
Ainda hoje choro um poema que perdi
Numa acção de combate ligeira
Quando o papel amarrotado
Me caiu da algibeira
Dedicara-o a um menino
Que encontrei abandonado
Numa sinuosa picada isolada
Enredada na vasta e incerta
Floresta da guerra
Morria de fome e tristeza
E dos seus enormes olhos negros
Que eram espelhos que reflectiam
Infinitos raios de súplica
Gotejava uma só lágrima fortuita
Disse-me que se chamava Chico Matacanha
Mas a miséria era tamanha
Que já não me soube contar mais nada
Aquele menino cresceu
Fez-se homem
E continua a viver
Mas a fome
A miséria e a guerra
Continuam a alastrar pela Terra inteira
Por isso ainda hoje choro o poema que perdi
Numa acção ligeira de combate
Tento recuperá-lo da memória
Com o coração a bater a rebate
Para o dedicar agora
Já não só a Chico Matacanha
Mas a todos os meninos abandonados
Nos caminhos cruzados
Da crueldade humana
Henrique Pedro
Um comentário:
Amado Helio, porque perdeu seu poema??? talvez seja por não ter sido seu!!!!
pois os poemas de seu coração é cantado em trovas e versos todos as noites em meu leito no canto de meu ouvido,todas as palavras de amor que seu intimo declama para mim...
deixa perder o poema que não te pertence e seja poeta sim em meus braços, pois nada como a harmonia de nossos corpos , para bailar palavras doces de amor sem fim!!!
Cristina!!!
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